O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou na tarde desta terça-feira (27) aos Estados Unidos, após fugir do Brasil pela fronteira com a Argentina, segundo o UOL. Flávio estaria acompanhado por sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. Conforme noticiado pela imprensa brasileira, o governo de Donald Trump teve participação ativa no plano de fuga e sinalizou com a concessão de asilo político. Tal situação, se confirmada, pode criar um sério problema diplomático entre os EUA e o Brasil.
Além de tentar evitar uma prisão decorrente das investigações de que é alvo no Brasil, ao se evadir dois dias após ser vencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas, Flávio teria como objetivo liderar a oposição a partir dos EUA.
Assim que perdeu as eleições, Flávio começou a levantar falsas acusações de fraude eleitoral, assim como fizera seu pai, Jair Bolsonaro (PL), quando perdeu também para Lula em 2022. Hoje, o ex-presidente está preso por tentativa de golpe de Estado.
Embora venha se colocando como “perseguido político”, há dois inquéritos criminais contra Flávio Bolsonaro tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF). As ações mais recentes do ministro Alexandre de Moraes (de proibir a saída do senador do Brasil e reter seus passaportes) têm relação com o inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras irregulares e possíveis vínculos econômicos ocultos entre ele e o advogado e empresário Willer Tomaz, bem como sua relação com empresas de apostas on line (bets). O outro inquérito em curso diz respeito ao caso “Dark Horse”.
Em mais uma de suas falas mentirosas, Flávio disse ontem, em vídeo, que “nunca pensou em deixar o país” e que iria entregar os seus passaportes e se “defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”.
Fuga via Argentina
Pela manhã, no entanto, passou a circular a notícia, publicada pelo site Infobae, o maior da Argentina, de que Flávio teria cruzado a fronteira entre o Brasil e o país usando apenas o documento de identidade, com o objetivo de seguir num avião particular para os EUA.
A Polícia Federal chegou a rastrear pontos de fronteira, sem encontrar registro de passagem de Flávio por nenhum ponto regular de controle migratório brasileiro. Também houve tratativas entre autoridades brasileiras e argentinas para verificar a passagem de Flávio pelo país.
Por volta do meio-dia, a Polícia Federal informou o cancelamento dos passaportes comum e diplomático do senador devido ao descumprimento de determinação do ministro Alexandre de Moraes que, nesta segunda-feira (26), havia proibido Flávio de deixar o País e o obrigou a entregar seus passaportes em até 24 horas.
Também nesta terça-feira, deputados do PT haviam pedido ao ministro a prisão preventiva do senador, além da emissão de um alerta vermelho da Interpol. A solicitação foi feita pelos deputados federais Lindberg Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) e a deputada federal eleita Ana Elisa Santos (PT-MG).
Na Tribuna da Câmara, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) criticou, o comportamento de Flávio: “Hoje o Brasil acordou com a notícia de que a família Bolsonaro pode ter mais um foragido. E não é um foragido qualquer. É um foragido que foi candidato a presidente da República, que achava que ia se eleger e fez uma série de barbaridades nesta campanha”.
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