Campanha Ilha Lilás oferece gratuitamente palestras, workshops, rodas de conversa, grupos reflexivos e atividades educativas para empresas, escolas, órgãos públicos, ONGs e comunidades
A violência contra a mulher não começa apenas quando um crime é cometido. Ela também pode se manifestar no silêncio, na falta de informação e na ausência de espaços seguros para falar sobre o assunto. É a partir dessa compreensão que o hub de inovação Ilha Tech lançou a campanha Ilha Lilás, iniciativa que oferece gratuitamente ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher para organizações públicas e privadas de todo o Brasil.
Durante o mês de agosto, a campanha disponibiliza palestras, workshops, rodas de conversa com mulheres, grupos reflexivos com homens e atividades educativas para escolas, universidades, prefeituras, órgãos públicos, empresas, ONGs, associações, comunidades e outros grupos. As ações podem ser realizadas presencialmente ou de forma online, de acordo com a necessidade de cada organização.
A proposta é levar informação e ferramentas de prevenção para os espaços onde as pessoas estudam, trabalham e convivem, fortalecendo a capacidade de identificar situações de violência, orientar possíveis vítimas e ampliar a rede de proteção.
A campanha foi lançada oficialmente durante o Efeito Borboleta, evento realizado pelo Ilha Tech em 31 de julho, em João Pessoa, em parceria com a TrêsBê Delas, startup que desenvolve iniciativas de empreendedorismo, inclusão produtiva e autonomia para mulheres. O encontro reuniu mulheres, representantes do poder público, iniciativa privada e organizações da sociedade civil em torno de discussões sobre violência de gênero, autonomia feminina e transformação social.
Para o fundador e CEO do Ilha Tech, Ruy Dantas, a campanha Ilha Lilás representa uma forma de ampliar o alcance das ações para além da sede do hub e colocar diferentes setores da sociedade como parte da transformação.
“Eu me coloco nessa discussão não como protagonista, mas como um aprendiz todos os dias. A gente precisa trazer os homens para essa conversa, para que eles também se reconheçam como agentes dessa transformação”, afirmou Ruy Dantas.
Uma rede que começa dentro das organizações
Entre as ações disponíveis pela Ilha Lilás estão palestras, com conteúdos sobre violência de gênero, Lei Maria da Penha, direitos e rede de proteção. A campanha também oferece workshops voltados à formação prática de equipes para identificar, acolher e encaminhar casos.
Outra frente são os grupos reflexivos com homens, que propõem discussões sobre masculinidades e responsabilidade masculina no combate à violência. A iniciativa se conecta diretamente ao debate promovido durante o Efeito Borboleta pelo comunicador, escritor e integrante do Instituto Papo de Homem (PDH), Zé Ricardo Oliveira, que abordou o papel dos homens na transformação da cultura de violência.
“A sociedade ensinou que ser homem tem um padrão, tem um perfil, e tudo que foge desse modelo é questionado. Precisamos compreender de onde vêm esses padrões e repensar aquilo que aprendemos ao longo da vida”, afirmou Zé Ricardo.
A campanha Ilha Lilás também oferece rodas de conversa com mulheres, criando espaços seguros de escuta, informação e fortalecimento de vínculos, além de atividades educativas direcionadas especialmente a escolas, grupos comunitários e jovens.
Para Thayane Belchior, CEO da TrêsBê Delas e Head de Comunidade do Ilha Tech, ampliar o debate para diferentes públicos é fundamental para que a prevenção à violência não fique restrita a momentos específicos do calendário.
“Se a gente tem índices gigantescos de violência contra mulheres, é porque os homens ainda precisam estar dentro desse aspecto, se colocarem no lugar de aprendiz e entenderem que essa transformação é necessária. A gente precisa de mais aliados e mais homens que entendam que essa transformação é necessária”, afirmou.
Do debate à ação
A Ilha Lilás integra um conjunto de quatro iniciativas apresentadas durante o Efeito Borboleta, movimento inspirado na ideia de que pequenas ações podem desencadear transformações maiores.
Associado à teoria do caos, o chamado efeito borboleta é utilizado como metáfora para explicar como uma pequena alteração em um sistema pode produzir consequências significativas ao longo do tempo. No Ilha Tech, o conceito foi adaptado para representar a capacidade de uma ação realizada em determinado território gerar impactos que alcançam famílias, comunidades e outros espaços.
Foi com essa perspectiva que, além da Ilha Lilás, o Efeito Borboleta marcou o lançamento de outras três iniciativas.
O Digitaliza MEI Mulher – Centro Histórico atenderá 100 mulheres empreendedoras, divididas em duas turmas de 50 participantes, com formação em empreendedorismo, gestão, inovação, marketing, letramento digital e comércio eletrônico. A primeira turma já ultrapassou 60 inscrições.
Idealizado pelo Ilha Tech, executado pela TrêsBê Delas e fomentado pelo Ministério Público da Paraíba, por meio do Fundo de Direitos Difusos (FDD/PB), o programa também prevê a construção de um espaço de comércio virtual para as participantes.
“O que a gente quer impulsionar é a construção do aprendizado. A palavra TrêsBê é autonomia”, explicou Thayane durante o lançamento.
Já o Protege e Cresce conecta enfrentamento à violência de gênero e emancipação econômica. O programa prevê acolhimento psicossocial, orientação jurídica, fortalecimento da rede de proteção e ações voltadas à autonomia das mulheres.
A quarta frente é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do Ilha Tech, voltado a mulheres em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa trabalha a inclusão produtiva, economia criativa, cultura, tecnologia e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
Cultura do respeito também faz parte da prevenção
O Efeito Borboleta também levou para a programação a discussão sobre o papel das organizações na prevenção da violência. A advogada, DPO e especialista em Governança, Compliance, Proteção de Dados e Inteligência Artificial Nair Collares conduziu a palestra “Organizações que Protegem, Sociedades que Mudam: O Efeito Borboleta da Cultura do Respeito”.
A reflexão partiu da ideia de que mudanças na cultura de uma organização podem ultrapassar os limites do ambiente de trabalho e influenciar famílias, comunidades e relações sociais.
“A cultura do respeito dentro das organizações tem um efeito que ultrapassa o ambiente de trabalho. Quando uma mulher encontra acolhimento e proteção nesses espaços, toda a sociedade pode ser impactada”, afirmou Nair Collares.
Como solicitar uma ação da Ilha Lilás
A campanha está disponível para organizações públicas ou privadas de qualquer cidade do Brasil. Escolas e universidades, prefeituras e órgãos públicos, empresas, ONGs, associações, comunidades e grupos podem solicitar uma das ações oferecidas.
O processo começa com o preenchimento de um formulário de inscrição. Depois, a equipe do Ilha Tech entra em contato para definir o formato e a data da atividade. A ação pode acontecer presencialmente ou online e, ao final, a organização recebe um relatório de impacto sobre a atividade realizada.
A campanha é gratuita durante o mês de agosto. Para as atividades presenciais, a organização solicitante deve garantir apenas a logística necessária para a equipe.
A proposta da Ilha Lilás é fazer com que o debate sobre violência contra a mulher ultrapasse os discursos e chegue aos espaços onde a prevenção pode começar: escolas, empresas, órgãos públicos, comunidades e organizações. Ao levar informação, escuta e ferramentas de enfrentamento para esses ambientes, a campanha busca fortalecer uma rede de proteção capaz de produzir mudanças que vão além de uma única ação ou de um único território.






