A cada dez crianças de até 3 anos, seis ainda estão fora da creche no Brasil. É o que mostra o módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, o acesso à creche chegou a 43,3% em 2025, o maior índice da série histórica, iniciada em 2016, e reuniu 4,5 milhões de crianças matriculadas.
A pré-candidata a deputada federal Janny Milanês, defende que é necessário ampliar o número de vagas em creches e dar atenção especial à primeira infância, fase em que a criança desenvolve habilidades cognitivas, sociais e emocionais que a acompanham pelo resto da vida. Ela destaca que a falta de vagas não atinge só as crianças. Sem um lugar para deixar os filhos pequenos, mães ficam impedidas de buscar emprego ou de se manter no mercado de trabalho.
Janny afirma que este é um problema complexo e que precisa de várias frentes para ser solucionado. Uma das propostas dela é oferecer incentivo fiscal para empresas que asseguram creche para filhos de funcionários. A iniciativa tira mães do desemprego e resolve a vaga sem depender só do poder público. “Também defendo que a União assuma mais peso financeiro nesse regime colaborativo, pois é dever do município fornecer creches, mas sobram responsabilidades para o ente federativo que dispõe de menos recursos”, argumentou.
O número de creches cresceu em 2025, mas ainda deixa o Brasil distante da meta de 50% prevista pelo Plano Nacional de Educação. Em 2016, apenas 31,8% das crianças de até 3 anos tinham vaga em creche, e o salto até os atuais 43,3% mostra que a expansão avança, porém devagar. Já entre as crianças de 4 e 5 anos, a taxa de atendimento na pré-escola está em 96,1%, próxima da universalização.
O problema não é só de ritmo, é de prioridade. Um estudo do movimento Todos pela Educação, com base na Pnad e no Censo Escolar, mostra que as crianças mais ricas têm 60% de acesso à creche, contra apenas 30,6% entre as mais pobres, e a desigualdade também tem endereço: as regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores do país. “As crianças mais pobres, que mais precisam do apoio do Estado, muitas vezes estão tendo esse direito negado pelo poder público”, afirma Janny.





