Mais de dez anos após o homicídio de Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008, novas alegações apresentadas à Justiça de São Paulo reacenderam questionamentos sobre o cumprimento da pena de Anna Carolina Jatobá. O pedido protocolado na 1ª Vara das Execuções Criminais de Taubaté reúne indícios sobre a progressão ao regime aberto e sugere hipóteses sobre sua situação após deixar o sistema prisional, todas pendentes de análise pelo Judiciário. A iniciativa sucede uma atualização de representação enviada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington, nos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (08), o ativista Agripino Magalhães, presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, encaminhou requerimento para revisar a legalidade do benefício de regime aberto concedido a Jatobá. No documento, ele solicita a instauração de procedimento para verificar eventuais irregularidades na progressão de regime e, se confirmadas, a revogação do benefício. Desde 2023, a condenada cumpre pena em liberdade.
O pedido, assinado pelo advogado Francisco Angelo Carbone Sobrinho, contém documentos que apontam supostas relações entre o avô de Isabella, Antônio Nardoni, e a direção da Penitenciária Feminina de Tremembé. Segundo as alegações, esse vínculo teria influenciado a concessão de benefícios considerados irregulares ao longo do cumprimento da pena de Jatobá.
Entre as evidências, consta o depoimento da agente penitenciária identificada como Elisa, que afirmou ter convivido com Jatobá na unidade. Ela relatou que a condenada recebeu um colchão ortopédico de alto valor dentro da cela, privilégio que, segundo a testemunha, não foi oferecido às demais internas.
O requerimento também menciona a atuação de Jatobá em uma função de liderança interna, o que teria permitido a remição de parte de sua pena por meio do trabalho em condições diferenciadas. A petição questiona se essa atividade se baseou em informações distorcidas e favorecimentos indevidos em relação às demais presas.
Como parte das diligências, o documento solicita a quebra de sigilo bancário e a análise de movimentações financeiras de Antônio Nardoni, de empresas ligadas a ele, de membros da direção da penitenciária e de outros servidores. O objetivo é identificar possíveis fluxos de influência e recursos que beneficiaram Jatobá.
Ainda segundo o pedido, eventuais privilégios teriam sido oferecidos para evitar que Jatobá prestasse depoimentos contra o sogro. Além disso, a petição sugere que, mesmo após obter a liberdade, ela permanece sob rígido controle de Antônio Nardoni, condição comparada a um cárcere privado até o término do prazo prescricional de possíveis crimes atribuídos a ele.






