A crise da coleta de lixo em João Pessoa ganhou um novo ingrediente: o confronto político. Em vez de apenas responder às críticas sobre a limpeza urbana, o prefeito Léo Bezerra partiu para o ataque e direcionou sua artilharia ao Governo do Estado e à Cagepa, em uma declaração que elevou a temperatura da disputa entre Prefeitura e Estado.
“Estão querendo fazer política com isso [descarte de lixo] e eu não vou permitir. Não é porque está faltando água todos os dias praticamente em João Pessoa que eu estou dizendo que tem uma crise de água. Não é porque os mares estão poluídos todos os dias que estou dizendo que há uma crise por parte do Governo do Estado”, afirmou o prefeito durante entrevista ao Correio Debate.
A declaração representa uma das críticas mais duras já feitas por Léo Bezerra contra a gestão estadual desde que assumiu a Prefeitura. Embora tenha negado querer politizar o problema do lixo, o prefeito acabou levando o debate para outro campo ao citar a falta de água na Capital e os recorrentes episódios de poluição na orla, temas que envolvem diretamente a Cagepa e órgãos estaduais.
O Blog do Clilson apurou que a fala foi interpretada nos bastidores políticos como um recado direto ao Palácio da Redenção. O discurso rompe o tom de cautela que predominava na relação institucional entre as duas gestões e pode abrir um novo capítulo de tensão entre aliados históricos do mesmo campo político.
O episódio ocorre justamente quando a Prefeitura enfrenta forte desgaste provocado pelas reclamações sobre a coleta de lixo. Ao rebater as críticas, Léo buscou estabelecer uma comparação: argumentou que nunca utilizou os problemas de abastecimento de água e de saneamento para acusar o Governo do Estado de viver uma crise administrativa.
Nos bastidores, porém, a estratégia é vista como arriscada. Ao trazer para o centro do debate a falta de água e a poluição das praias, o prefeito amplia o confronto e coloca a Cagepa novamente na linha de tiro, empresa que já vinha sendo alvo de cobranças da gestão municipal por intervenções em vias públicas, problemas de esgoto e impactos na infraestrutura urbana.
Agora, resta saber se o Governo do Estado responderá às provocações ou optará por manter o silêncio. O fato é que a crise do lixo extrapolou os caminhões de coleta e passou a ocupar também o terreno da disputa política, com trocas de indiretas entre dois governos que, até pouco tempo atrás, caminhavam lado a lado.





