A apresentadora Sabina Simonato cobrou explicações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo sobre duas mortes em ações da Polícia Militar. A jornalista questionou a quantidade de disparos, a demora na entrega de imagens de câmeras corporais e os procedimentos adotados pelos agentes. “A polícia precisava se manifestar, vir a público, dar uma satisfação para a sociedade. Isso é muito grave”, criticou a âncora do Bom Dia São Paulo.
Um dos casos envolve Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, morto em Moema, na zona sul da capital paulista. Segundo as informações apresentadas pela jornalista, os policiais dispararam 45 vezes, e 27 tiros atingiram o jovem. Os agentes alegaram ter confundido o celular que ele segurava com uma arma.
Sabina destacou que a Polícia Civil ainda não havia recebido as imagens das câmeras corporais dos PMs envolvidos. Ela cobrou a divulgação dos registros para esclarecer o que aconteceu.
“Qual a dificuldade de apresentar essas imagens? Eles foram tão claros no boletim de ocorrência, então libera logo essas imagens! O caso foi no sábado, mas até agora nada”, declarou ela nesta terça-feira (13).
A jornalista também questionou o intervalo até que o departamento responsável fosse avisado sobre a morte. “Por que tanto tempo para avisar ao Departamento de Homicídios sobre essa ocorrência? São questionamentos que a Secretaria de Segurança Pública precisa responder”, disse, ao cobrar esclarecimentos sobre a condução do caso.
Na sequência, a âncora comentou a morte de um homem descrito como estando em surto na zona norte de São Paulo. Ele também teria sido atingido por 27 tiros.
“Outro caso muito grave. Você vê uma pessoa em surto e chama o socorro ou a polícia porque acha que a situação vai entrar no controle, que vai apaziguar, mas não. Quem está em surto é morto pela polícia”, criticou.
As duas ocorrências somaram 69 disparos. Ao comentar as imagens do segundo caso, ela chamou a atenção para os tiros efetuados quando o homem já estava no chão e para a movimentação de veículos na rua.
A apresentadora citou o método Giraldi –técnica de tiros defensivos usados pela polícia– ao questionar os procedimentos dos agentes. “Por que esse método Giraldi não foi aplicado nos dois casos?”, perguntou. Ela também cobrou uma explicação sobre a permanência do corpo na via pública: “Por que deixa o corpo ali por dez horas?”.
Sabina Simonato afirmou que, diante dos questionamentos, a SSP mantinha a informação de que tudo seria investigado. Para a jornalista, a resposta por escrito não era suficiente. “É muito fácil se posicionar no papel. Digo mais uma vez: a polícia precisava se manifestar, vir a público, dar uma satisfação para a sociedade”, concluiu.






