A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Wanessa Santana Martins Vieira, de 38 anos, investigada por supostamente emprestar uma viatura descaracterizada da corporação ao marido, Renan Rachid, também de 38 anos, teve a licença para tratamento de saúde renovada por mais 120 dias.
A decisão foi publicada na edição desta terça-feira (25) do Diário Oficial de Minas Gerais e tem validade desde a última quarta-feira (19).
O caso ganhou repercussão em março, quando Renan foi preso em flagrante após ser abordado enquanto dirigia uma viatura da Polícia Civil na Avenida Presidente Antônio Carlos, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte. Segundo as investigações, o veículo teria sido utilizado pelo advogado para deslocamentos particulares.
A primeira licença médica concedida à delegada havia sido publicada em abril pelo Hospital da Polícia Civil. Agora, o afastamento foi prorrogado por mais quatro meses.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que a renovação de licenças para tratamento de saúde de servidores ocorre regularmente, conforme a legislação e mediante avaliação médica. A corporação também afirmou que as investigações sobre o caso continuam sob responsabilidade das unidades competentes.
Segundo a PCMG, novas informações não serão divulgadas neste momento para não comprometer o andamento das apurações.
Justiça nega pedido de sigilo
Também em abril, a Justiça negou um pedido apresentado pela defesa de Renan Rachid para que o inquérito que apura possível crime de peculato tramitasse em sigilo.
Os advogados alegaram que a medida seria necessária para preservar a imagem dos investigados, além de apontarem a existência de documentos médicos nos autos.
O pedido, porém, não foi acolhido. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também se posicionou contra o sigilo, argumentando que a investigação envolve suspeita de utilização particular de patrimônio público — no caso, uma viatura da Polícia Civil.
Para o Ministério Público, o interesse público na apuração dos fatos e o princípio constitucional da publicidade prevalecem sobre os argumentos apresentados pela defesa.
Relembre a prisão
Renan Rachid foi preso em flagrante no dia 10 de março, durante uma blitz realizada na Avenida Presidente Antônio Carlos. Ele estava conduzindo uma viatura descaracterizada pertencente à Polícia Civil.
De acordo com a corporação, a abordagem ocorreu após denúncias anônimas encaminhadas à Corregedoria da Polícia Civil e à Ouvidoria do Estado. As informações indicavam que o veículo estaria sendo utilizado pelo advogado para se deslocar até o trabalho.
Durante a fiscalização, Renan se identificou como advogado e apresentou sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Após os policiais confirmarem que o automóvel fazia parte da frota oficial da Polícia Civil e que o condutor não era servidor da instituição, ele foi encaminhado à Corregedoria. A viatura foi apreendida e submetida a perícia.
Uma equipe policial também foi até a residência da delegada Wanessa Santana, responsável pelo veículo. Ela foi conduzida para prestar esclarecimentos e teve a prisão em flagrante confirmada.
Posteriormente, os dois foram indiciados por peculato. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias em que a viatura teria sido disponibilizada e utilizada pelo advogado.
Até o momento, a Polícia Civil afirma que o procedimento permanece em andamento e que eventuais novas informações serão divulgadas conforme o avanço das apurações.






