O desembargador Aluízio Bezerra Filho negou, neste sábado (23), pedido formulado pelos advogados do governador Lucas Ribeiro (PP) para a retirada de conteúdo jornalístico produzido pelo portal Poder PB. Os representantes da Coligação Daqui Para Melhor, encabeçada pelo gestor e candidato à reeleição, demonstraram descontentamento com o conteúdo de áudios vazados da Operação Perfidus, que resultou na prisão de três policiais civis suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas.
Em um deles, o policial civil Everton Aires, conhecido como “Bomba”, diz que procurou o governador Lucas Ribeiro ainda antes de ele tomar posse no cargo, o que ocorreu em 4 de abril, e entregou o currículo de um delegado próximo a ele, provavelmente Braz Morroni, para que assumisse o cargo de superintendente da Polícia Civil. O plano criminoso envolvia o recebimento de informações privilegiadas e o desmantelamento da Draco.
“Nestas últimas semanas, a gente pegou o currículo do delegado da gente e levou para Lucas, né, que vai assumir o governo do Estado. Que a gente está vendo se ele consegue emplacar para ser superintendente. Porque, ele sendo superintendente, a gente consegue ter mais acesso, entendesse, controle de informação e consegue desmanchar essa porra dessa Draco”, diz Bomba na gravação.
No mesmo áudio, o policial lamenta problemas internos na corporação que poderiam impedir o avanço do plano. “Aí, talvez, eu acredito que uma fuleragem dessa de fevereiro, o currículo dele deve ter chegado na Secretaria e aí, como ele estava comigo na situação, aí devem estar querendo ver se melam o currículo do cara para ele não deixar ele assumir, entendesse. Isso está me cheirando a politicagem”, acrescentou.
“Quanto à matéria originária do PoderPB, não verifico, neste momento, probabilidade do direito suficientemente robusta para justificar sua remoção”, disse Bezerra, ressaltando que resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que a atuação da Justiça Eleitoral se dê com a menor interferência possível no debate democrático.
Sobre a operação que resultou nas prisões dos policiais, é importante lembrar que Bomba, Eduardo Jorge (Mão Branca) e Braz Morroni são investigados por suposta participação em organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Segundo a Polícia Civil, o grupo contava com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer as atividades ilícitas.
Os três foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) neste mês. Eles são suspeitos de atuarem como provedores do material entorpecente, gerenciando os lucros e determinando as diretrizes de venda, prevalecendo-se de suas funções públicas, utilizando viaturas, distintivos, informações privilegiadas e a própria estrutura estatal para subtrair drogas de terceiros, encobrir suas ações e garantir o escoamento seguro do material ilícito.
Ainda de acordo com o Gaeco, os outros quatro denunciados atuavam ativamente na comercialização, contabilidade, mistura (para aumento de volume) e logística de distribuição da droga em João Pessoa, no Sertão Paraibano e no Rio Grande do Norte.
Fonte: PoderPB





