A definição da vaga de vice na chapa encabeçada por Lucas Ribeiro continua levantando questionamentos sobre os critérios adotados pelo grupo político na construção da composição. Afinal, se para Adriano Galdino ocupar o posto seria necessário abrir mão de suas bases eleitorais, comprometer seu projeto político e praticamente desmontar parte do capital construído ao longo dos anos, qual teria sido o acordo firmado com o deputado federal Dr. Damião Feliciano para que sua esposa, Lígia Feliciano, conquistasse o espaço?
A pergunta ganha força quando se observa a situação de cada grupo. Damião Feliciano segue exercendo normalmente o mandato de deputado federal, preservando suas bases eleitorais, mantendo aliados e, naturalmente, trabalhando para a própria reeleição. Ao mesmo tempo, sua esposa passa a ocupar uma posição estratégica na chapa majoritária.
Na prática, a família mantém presença nos dois espaços: Damião continua com seu projeto político para a Câmara Federal, enquanto Lígia avança para uma vaga na composição majoritária. Até aqui, aparentemente, não houve a exigência de um sacrifício eleitoral semelhante ao que teria sido colocado como condição para Adriano Galdino.
E é justamente aí que surge a comparação inevitável.
Se Damião pode preservar integralmente seu projeto eleitoral e, ainda assim, indicar a esposa para a vice, por qual razão Adriano Galdino teria que abrir mão das próprias bases e comprometer o chamado espólio político para disputar exatamente a mesma posição?
Afinal, por que um poderia manter sua estrutura eleitoral intacta enquanto o outro teria que desmontar a própria base política para atender à estratégia do grupo?
Ou, em uma expressão popular que resume o sentimento de desigualdade no tratamento: o pau que bate em Chico não bate em Francisco?
O questionamento não está apenas na escolha do nome para a vice. Ele está, principalmente, no critério utilizado para justificar as condições impostas a cada liderança. Se a ocupação da vaga exigia renúncia, desprendimento eleitoral e sacrifício de bases políticas, essa regra deveria valer para todos os interessados. Caso contrário, a impressão que fica é a de que os critérios mudaram de acordo com o interlocutor e com o peso da negociação.
No caso de Adriano Galdino, o custo político de aceitar a composição poderia ser elevado. Abrir mão de uma estrutura eleitoral consolidada, reduzir o espaço de aliados e comprometer o planejamento para o futuro representaria um preço considerável para alguém que construiu uma trajetória política própria e mantém influência em diversas regiões da Paraíba.
Já no caso da família Feliciano, a composição permitiria, ao menos em tese, uma equação diferente: Damião preserva o mandato, mantém sua estrutura eleitoral e segue na disputa pela reeleição, enquanto Lígia ocupa um dos espaços mais cobiçados da chapa majoritária.
É essa diferença que alimenta as dúvidas sobre os bastidores da decisão.
Ao final, o grupo político pode ter perdido mais do que um nome com condições de agregar força à chapa. Pode ter deixado escapar uma liderança que reunia capital político, experiência, estrutura eleitoral e capacidade de ampliar a composição.
Mas talvez a perda mais difícil de explicar seja outra: a coerência.
Porque, quando as exigências não parecem ser as mesmas para todos, a discussão deixa de ser apenas sobre quem ficou com a vaga de vice. Passa a ser sobre quais critérios definiram a escolha, quais concessões foram feitas nos bastidores e, principalmente, por que o sacrifício que parecia indispensável para uns deixou de ser necessário para outros.






