A temperatura da campanha para o Governo da Paraíba ganhou mais alguns graus depois do debate do último domingo na TV Arapuan. O confronto que começou no estúdio entre o governador Lucas Ribeiro (PP) e o senador Efraim Filho (PL) avançou para fora dele e colocou também no centro da disputa o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), tio do governador.
Durante o debate, Efraim fez críticas duras a Aguinaldo e procurou associar o deputado ao comando político da atual gestão. Também questionou o fato de Lucas não utilizar o sobrenome Ribeiro em parte do material de campanha e citou acusações feitas no passado contra Aguinaldo.
A reação do deputado veio logo depois. Aguinaldo classificou Efraim como “covarde” e se colocou à disposição para debater diretamente com o senador sobre as acusações e também sobre questões relacionadas ao governo.
Efraim resolveu aceitar publicamente o desafio nesta segunda-feira, mas aproveitou a resposta para lançar mais uma provocação contra Lucas Ribeiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou:
“Será um prazer debater com quem, na verdade, está mandando no governo. Recebi a matéria do meu colega de Parlamento, deputado federal Aguinaldo Ribeiro, dizendo que gostaria de debater comigo os temas de governo. Fica à minha inteira disposição, é só marcar.”
Na sequência, o senador voltou ao confronto do domingo e acusou Lucas de ter recorrido a “ofensas, agressões e mentiras” durante o debate. E avisou que pretende manter o mesmo tom durante a campanha.
“A gente viu no debate, infelizmente, as ofensas, as agressões, as mentiras que o governador Lucas Ribeiro trouxe contra mim, inclusive foi motivo de ter um deferimento de pedido de direito de resposta. E pode ter certeza: eu não vou recuar. Sempre que agredido, vamos responder na mesma moeda”, declarou.
A frase sobre debater “com quem está mandando no governo” não foi casual. Faz parte da estratégia de Efraim de tentar diminuir politicamente Lucas, apresentando Aguinaldo como personagem de forte influência sobre a administração estadual. Do outro lado, a reação imediata do deputado também ajuda o grupo governista a deslocar para Aguinaldo parte das acusações feitas diretamente contra o governador.
Apesar do desafio e do aceite público, dificilmente Aguinaldo Ribeiro e Efraim Filho estarão frente a frente em um debate formal. Não há, pelo menos até agora, evento previsto ou ambiente eleitoral natural para um confronto dessa natureza. O mais provável é que o “debate” continue exatamente onde começou depois do programa de domingo: nas entrevistas, declarações e redes sociais.
É jogo de cena de parte a parte, mas com efeitos políticos reais. Efraim ganha a oportunidade de prolongar os ataques feitos no debate; Aguinaldo entra em campo para defender o grupo e responder às acusações dirigidas a ele e à família Ribeiro.
Se o encontro provavelmente não sairá das provocações à distância, a troca de acusações já cumpriu outra função: acrescentou mais um ingrediente a uma campanha paraibana que, depois dos primeiros debates, já se mostra mais do que apimentada.






