La Paz (EFE) – O Ministério Público da Bolívia determinou nesta quarta-feira a prisão do ex-presidente Evo Morales (2006–2019), acusado de terrorismo, levante armado contra a segurança e a soberania do Estado e outros crimes por seu suposto envolvimento nos protestos e bloqueios de rodovias realizados entre maio e junho para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
A ordem, assinada pelo promotor Brayan Melgar e confirmada à EFE por uma pessoa próxima ao ex-presidente, também atribui a Morales os supostos crimes de atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, incitação pública ao crime e atentado contra a segurança dos serviços públicos.
Durante sete semanas, entre maio e junho, camponeses de La Paz e a Central Operária Boliviana (COB) promoveram bloqueios de estradas, principalmente no oeste e no centro da Bolívia, com o apoio de grupos aliados a Morales, para exigir a renúncia do presidente Paz como “única reivindicação”.
A ordem de prisão
Os bloqueios provocaram desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio medicinal em várias cidades. Segundo as autoridades, os protestos deixaram pelo menos 16 mortos, sendo 13 por falta de atendimento médico em tempo hábil devido às interrupções nas rodovias, além de causar prejuízos econômicos superiores a US$ 3 bilhões.
A denúncia foi apresentada no início de julho pelos líderes cívicos de Santa Cruz, a região mais populosa e principal motor econômico da Bolívia. Posteriormente, o ministro do Governo (Interior), Marco Antonio Oviedo, também aderiu à ação.
A ação judicial também inclui o principal dirigente da COB, Marco Argollo, e o líder dos camponeses de La Paz, Vicente Salazar, que está em prisão preventiva desde 6 de julho por outra investigação relacionada aos mesmos fatos.
O ex-presidente Evo Morales nega ter incentivado a renúncia de Rodrigo Paz e afirma que as mobilizações buscavam apenas pressionar o governo a responder às reivindicações dos setores envolvidos. No entanto, em 24 de maio, escreveu na rede social X que o presidente tinha apenas “dois caminhos” diante da crise: “militarizar” o país ou convocar eleições nos próximos 90 dias.
Após chegar a acordos com setores como a COB, Rodrigo Paz decretou, em 20 de junho, estado de exceção para pôr fim aos bloqueios. Em seguida, policiais e militares foram mobilizados para desobstruir as rodovias e restabelecer o tráfego.
Onde está Evo Morales?
Desde outubro de 2024, Evo Morales permanece na região do Trópico de Cochabamba, seu principal reduto político e sindical, protegido por centenas de apoiadores para evitar o cumprimento de outra ordem de prisão expedida contra ele em uma investigação por tráfico agravado de pessoas.
Nesse caso, o ex-presidente é acusado de manter uma relação com uma menor de idade, com quem supostamente teve uma filha em 2016, quando ainda exercia a Presidência da República.
Em maio, um tribunal da região de Tarija declarou Morales foragido da Justiça e emitiu uma nova ordem de prisão porque ele não compareceu ao início do julgamento desse processo. A Polícia boliviana afirma que aguarda o momento considerado adequado para cumprir o mandado.
Com informações de EFE





