O adolescente de 17 anos investigado pelo ato infracional análogo ao homicídio do motorista por aplicativo Washington Rodrigo, de 33 anos (foto em destaque), apresentou uma nova versão sobre o crime ocorrido em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa.
Em depoimento à Polícia Civil do Rio Grande do Norte, ele afirmou ter agido após ser vítima de extorsão, versão que diverge tanto do relato inicial apresentado pela defesa quanto das investigações da Polícia Civil da Paraíba.
As informações foram divulgadas na noite dessa terça-feira (28) pelo delegado Igor André, responsável por receber o depoimento do adolescente em Caicó (RN), após a apresentação espontânea do investigado acompanhado do advogado Ariolan Fernandes.
Delegado diz que adolescente alegou extorsão
Segundo o delegado Igor André, o adolescente afirmou que Washington Rodrigo teria descoberto sua identidade religiosa e passado a exigir dinheiro para não divulgar informações sobre sua vida pessoal.
“Foi o crime e nos relatou que assim agiu em ilegítima defesa. Estava sendo extorquido pelo garoto de programa, que descobriu a identidade dele pelo fato de ser relacionado à atividade da igreja. Disse que não viu outra alternativa senão ceifar a vida da vítima.”
Apesar da alegação, o delegado destacou que o depoimento apresenta incongruências quando comparado às evidências já reunidas pela investigação.
Versão diverge sobre momento em que vítima foi algemada
Um dos principais pontos questionados pela polícia envolve o uso das algemas.
Segundo Igor André, o adolescente afirmou que, após as supostas ameaças, teria convencido Washington de que pagaria o valor exigido e sugeriu que o programa sexual fosse realizado.
Nesse momento, segundo o depoimento, pediu que a vítima colocasse as mãos para trás e fosse algemada.
O menor também disse que as algemas era um fetiche, para um desejo sexual.
“Ele alegou que essa algemação foi feita após as ameaças e em consenso. Depois pediu que a vítima ficasse algemada com as mãos para trás e deitasse na cama, oportunidade em que realizou o estrangulamento com o fio do secador.”
Ainda conforme o delegado, o adolescente afirmou que não pretendia matar, mas apenas fazer Washington Rodrigo desmaiar para conseguir deixar o local.
Advogado nega premeditação
Durante entrevista ao programa Paraíba Verdade, da Rádio Arapuan FM 95.3, nesta terça-feira (28), o advogado Ariolan Fernandes afirmou que seu cliente escolheu a vítima de forma aleatória em um site de acompanhantes.
Segundo a defesa, o adolescente acreditou, sem qualquer comprovação, que Washington poderia gravar ou divulgar o encontro, o que teria provocado medo de exposição por causa de sua atuação em eventos religiosos.
“Ele entrou em um site e escolheu aleatoriamente um acompanhante. Imaginou que Rodrigo pudesse estar registrando ou repassando o encontro e ficou com medo de que isso manchasse sua imagem.”
O advogado também confirmou que as algemas e a pistola de airsoft pertenciam ao adolescente.
Questionado sobre a possibilidade de premeditação, Ariolan Fernandes afirmou que não pode fazer essa afirmação.
“Segundo o acusado, não houve premeditação. Só ele pode dizer se houve ou não planejamento, e ele não me revelou isso.”
A defesa acrescentou que que a arma airsoft e as algemas, pertencia ao seu cliente.
Polícia da Paraíba mantém linha de investigação
A nova versão apresentada pelo adolescente difere das informações divulgadas pela Polícia Civil da Paraíba.
Conforme a investigação, mensagens encontradas no celular de Washington Rodrigo indicam que o encontro foi previamente combinado e que o adolescente viajou do Rio Grande do Norte exclusivamente para encontrar a vítima em João Pessoa.
A polícia também confirmou que o investigado utilizou dados falsos de uma pessoa maior de idade para realizar a hospedagem no hotel.
Durante a perícia, foi aprendido uma arma de airsoft, que foi utilizado para ameaçar a vítima, segundo oque apurou as autoridades paraibanas.
Washington Rodrigo foi encontrado morto sobre a cama, com as mãos amarradas, um pano na boca e um fio enrolado no pescoço.
A causa da morte e a dinâmica do crime ainda dependem dos laudos do Instituto de Polícia Científica (IPC).
Também será a perícia que deverá esclarecer se as lesões encontradas no corpo da vítima têm relação com práticas sexuais consensuais ou se foram provocadas durante a execução do crime.
O diretor do Instituto de Medicina Legal (IML) da Paraíba, Flávio Fabres, afirmou que o corpo do motorista por aplicativo Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado morto em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, apresentava elementos compatíveis com tortura. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Paraíba Verdade, da Rádio Arapuan FM 95.3, nesta terça-feira (28).
Segundo o médico legista, os sinais observados durante os exames iniciais serão detalhados no laudo pericial, documento que deverá esclarecer as circunstâncias da morte e auxiliar a investigação da Polícia Civil.
As imagens das câmeras de segurança mostram o adolescente deixando o quarto e seguindo para a garagem do hotel.
“Tem sinais de tortura. O corpo apresentava materialidade dessa tortura, que vai ser bem estabelecida no laudo pericial.”
Segundo a investigação, ele tentou sair com o carro da vítima, mas não conseguiu porque o veículo possuía um dispositivo de segurança utilizado por motoristas de aplicativo, que impede o funcionamento em situações de furto ou roubo.
A polícia acredita que o automóvel foi estacionado na garagem porque Washington pretendia permanecer no hotel durante o encontro.
As investigações seguem sob responsabilidade da Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.






