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Análise de documentos do TSE apontam inconsistências metodológicas em pesquisas do Instituto Seta no RN e na Paraíba

Análise de documentos do TSE apontam inconsistências metodológicas em pesquisas do Instituto Seta no RN e na Paraíba

Redação Filipeia News Por Redação Filipeia News
21 de junho de 2026
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Uma análise dos registros de pesquisas eleitorais apresentados pelo Instituto Seta à Justiça Eleitoral levantou uma série de questionamentos sobre a composição das amostras utilizadas em levantamentos realizados no Rio Grande do Norte e na Paraíba ao longo de 2026. Documentos públicos disponíveis no sistema PesqEle, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontam inconsistências graves relacionadas à transparência metodológica, à distribuição geográfica das entrevistas e ao cumprimento das exigências de detalhamento previstas na legislação eleitoral.

O caso mais recente envolve a pesquisa registrada sob o número RN-03807/2026. A principal controvérsia identificada pela reportagem está relacionada à distribuição geográfica das entrevistas e a falta de informações censitárias. Nos documentos apresentados ao TSE, municípios com eleitorados significativamente distintos aparecem com quantidades de entrevistas que, segundo especialistas consultados, não demonstram proporcionalidade aparente em relação ao tamanho de seus respectivos eleitorados.

Um dos exemplos observados ocorre em Caicó (45.213 eleitores), que aparece com número de entrevistas superior ao registrado em cidades da Região Metropolitana de Natal, como Parnamirim(142.264 eleitores), São Gonçalo do Amarante(76.496 eleitores) e Macaíba (54.091 eleitores), que possuem eleitorados significativamente maiores.

Outro caso envolve São Paulo do Potengi, com 14.551 eleitores, que teria participado da composição da amostra com apenas três entrevistas, enquanto municípios menores, como Encanto (4.963 eleitores) e Doutor Severiano (4.351 eleitores), aparecem com doze entrevistas cada.

Especialistas em metodologia de pesquisas eleitorais ouvidos pela reportagem afirmam que a fata de transparência sobre os setores censitários pesquisados contraria uma das principais exigências da regulamentação eleitoral atualmente em vigor. Segundo eles, a ausência dessas informações são considerados pelo Tribunal Superior Eleitoral(TSE), como pesquisas não registradas. Para que uma pesquisa eleitoral seja considerada devidamente registrada e regular, o instituto precisa submeter uma série de dados científicos ao Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). A legislação exige transparência na delimitação geográfica da amostra.

As informações essenciais que devem constar no registro incluem: O plano amostral e a ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área física de realização do trabalho (o que exige a definição clara dos setores censitários).

O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO
A legislação eleitoral exige que institutos de pesquisa registrem informações metodológicas completas no sistema da Justiça Eleitoral, permitindo fiscalização por partidos, Ministério Público, imprensa e sociedade.
A Resolução TSE nº 23.747/2026 determina a divulgação do plano amostral, incluindo critérios de ponderação e a área física de realização da pesquisa, com detalhamento de municípios, bairros e setores censitários.

Na prática, essas informações são essenciais para verificar se a amostra reflete corretamente o eleitorado e se a coleta foi feita de forma proporcional entre as áreas pesquisadas. Segundo análise de registros do Instituto Seta no sistema PesqEle, não foram identificados de forma detalhada os setores censitários, a distribuição das entrevistas nem a indicação precisa dos locais de aplicação, o que dificulta a verificação externa da metodologia adotada.

No levantamento mais recente divulgado neste sábado(20), registrado no dia 14 de junho sob o número RN-01712/2026 o instituto apresentou as mesmas desproporções quanto a distribuição de entrevistas e falta de informações de setores censitários.

Conforme o artigo 2º da Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizada pela Resolução nº 23.747/2026, em seu § 7º do artigo 2º prevê a necessidade de complementação de determinadas informações após a divulgação, sob pena de a pesquisa ser considerada não registrada como a identificação dos setores censitários pesquisados.

PADRÃO IDENTIFICADO EM DIVERSOS REGISTROS

Nos documentos disponibilizados pelo Instituto Seta no sistema PesqEle, a reportagem não localizou a identificação dos setores censitários ou informações equivalentes que permitam verificar, de forma objetiva, as áreas efetivamente pesquisadas. De acordo com os dados analisados, o mesmo padrão se repete em outros registros do Instituto Seta:
RN-01712/2026 – registrada em 14 de junho
RN-03807/2026 – registrada em 25 de maio
RN-01809/2026 – registrada em 2 de maio
RN-00684/2026 – registrada em 31 de março
RN-07529/2026 – registrada em 14 de março

Na documentação disponibilizada pelo próprio instituto, o mesmo padrão também aparece em pesquisas estaduais registradas pelo instituto na Paraíba. Entre os registros examinados estão:
PB-00944/2026 – registrada em 25 de maio
PB-08525/2026 – registrada em 19 de maio
PB-03980/2026 – registrada em 25 de março
Em todos os casos analisados, não foram identificadas informações detalhadas sobre setores censitários ou delimitação equivalente das áreas abrangidas pela coleta de dados.

ASSOCIAÇÃO CRITICA PESQUISAS SEM RIGOR TÉCNICO NO RN

No último dia 13 de junho, a ASSINP/RN (Associação dos Institutos de Pesquisas do Rio Grande do Norte) divulgou nota defendendo maior rigor técnico e transparência nas pesquisas de opinião no estado. A entidade critica a divulgação de levantamentos com possíveis falhas metodológicas e práticas consideradas mercantilistas no setor, que podem comprometer a credibilidade das pesquisas.

A associação reforça que pesquisas devem obedecer critérios como metodologia clara, amostra representativa, margem de erro informada e registro oficial, além de defender o fortalecimento da fiscalização e a punição de eventuais irregularidades.

INSTITUTO FOI PROCURADO
O Potiguar News procurou o Instituto Seta para comentar os questionamentos levantados pela reportagem e apresentar esclarecimentos sobre a metodologia empregada nos levantamentos analisados.

Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação e eventuais esclarecimentos.

 

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