O cenário político paraibano se agita com o anúncio de Buba e Gilma Germano, proeminente casal político da região do Curimataú, de que não apoiarão a candidatura do ex-governador João Azevêdo ao Senado Federal. A decisão, comunicada abertamente em entrevista, aponta para um descontentamento profundo com o ex-chefe do executivo estadual, que teria, segundo o casal, incorrido em atos de “traição”.
Buba Germano, ex-prefeito de Picuí por dois mandatos e ex-deputado estadual, assim como sua esposa, Gilma Germano, exercem considerável influência política na região do Curimataú. A perda do apoio deste casal representa um golpe considerável para as ambições senatoriais de João Azevêdo, que busca agora um assento no Congresso Nacional.
As declarações do casal Germano ecoam um sentimento de descontentamento que parece se espalhar. Conforme informações divulgadas, a decisão de Buba e Gilma Germano não seria um caso isolado, com diversas outras lideranças regionais expressando reservas quanto ao apoio a João Azevêdo, motivadas por promessas não cumpridas e acordos desfeitos ao longo de sua trajetória política.
Esvaziamento do PSB e Isolamento Político: O Legado de Azevêdo
A candidatura de João Azevêdo ao Senado se inicia sob um clima de instabilidade política. O ex-governador teria sido alvo de um “esvaziamento político” orquestrado por aliados, incluindo os deputados federais Hugo Motta (Republicanos) e Agnaldo Ribeiro (PP, hoje União Progressista). Essa manobra teria enfraquecido o PSB, retirando do partido a capacidade de formar uma chapa competitiva para os cargos legislativos.
Analistas políticos observam um cenário de isolamento político para o ex-governador. A percepção de fraqueza, somada à falta de uma base eleitoral sólida e capilarizada, pode dificultar significativamente sua campanha para o Senado. A situação força João Azevêdo a depender do governador atual, Lucas Ribeiro, e dos parlamentares da chamada “tríplice aliança”, em um jogo de gratidão e interesses.
A “Traição” como Marca de João Azevêdo
A fonte aponta que João Azevêdo, em sua ascensão política, teria adotado a “traição” como estratégia. O ex-governador é acusado de ter “traído e apunhalado” seu criador político, Ricardo Coutinho, em um ato descrito como “vil e covarde”. Essa postura, segundo a análise, se repete em suas relações com lideranças regionais.
A desconfiança gerada por essas ações pode se traduzir em um desprezo eleitoral significativo. O caso de Buba e Gilma Germano é visto como um sintoma de um problema mais amplo, onde a mágoa e o ressentimento podem pesar mais que investimentos financeiros na campanha.
Caminhada Eleitoral Custosa e Desafios Financeiros
Diante do cenário adverso, João Azevêdo precisará de vultosos recursos financeiros para viabilizar sua campanha ao Senado. A necessidade de investir milhões de reais para convencer o eleitorado é apontada como um fator crucial, especialmente considerando a falta de cultivo de amizades e conquistas políticas ao longo de seus anos de governo.
A campanha para o Senado pode ser surpreendente, não necessariamente pela força da candidatura de Azevêdo, mas pelas fraquezas que podem emergir em sua suposta base eleitoral. A capacidade de mobilizar recursos e reverter mágoas antigas será determinante para seu futuro político.
O Impacto da Perda de Apoio no Curimataú
A região do Curimataú, onde Buba e Gilma Germano detêm forte influência, representa um reduto eleitoral importante. A declaração de não apoio do casal sinaliza uma perda substancial de votos e de capilaridade para João Azevêdo nessa área estratégica.
A decisão do casal Germano não é apenas um revés isolado, mas um indicativo claro das dificuldades que o ex-governador pode enfrentar em outras regiões. A quebra de confiança com lideranças locais pode gerar um efeito cascata, prejudicando a articulação política e a mobilização de eleitores em todo o estado.






