Nos últimos dias, a atuação do vereador Guga Pet (PP), conhecido por sua militância em defesa da causa animal em João Pessoa, voltou a ser alvo de críticas e comparações com episódios polêmicos vividos pelo ex-vereador do Rio de Janeiro Gabriel Monteiro, condenado por crimes graves e por invadir áreas restritas de hospital. Monteiro foi cassado em 2022.
No fim da manhã desta quinta-feira (12), o vereador se envolveu em mais uma confusão relacionada ao Hospital Veterinário de João Pessoa. Ele teria ido ao local para fazer uma inspeção e verificar a procedência de denúncias de falhas no atendimento. Mas, chegando lá, houve bate-boca e empurrões entre o parlamentar, assessores e seguranças da instituição.
Após o episódio, Guga Pet e um assessor teriam sidos conduzidos a delegacia, após solicitação do secretário de Meio Ambiente de João Pessoa, Welison Silveira. O secretário informou que Guga teria desacatado os funcionários que o abordaram e ainda teria cometido abuso de autoridade. Silveira disse ainda que Guga teria forçado a entrada no hospital, desobedecendo as orientações da segurança da instituição: “Houve vias de fato. Ele empurrou um funcionário no exercício das funções dele, de manter a ordem no local. O vereador estava visivelmente transtornado e fora de si”, declarou.
No entanto, o vereador alegou que a ação da Polícia não resultou em sua condução por reconhecerem, segundo ele, que houve erro por parte dos gestores. Em vídeo nas redes sociais, Guga disse ter sido impedido de entrar na unidade e ameaçado de algemamento. “Se quiserem me prender, me prendem. A Prefeitura não vai me calar”, afirmou.
Welison Silveira rebateu as declarações e ratificou que o vereador teria sim forçado a entrada no hospital, estava visivelmente alterado e teria agredido servidores. O secretário declarou ainda que irá processar o parlamentar por desacato e agressão.
Caso Gabriel Monteiro
A comparação com o ex-vereador carioca ganha força por causa das táticas confrontativas que marcaram a carreira de Gabriel Monteiro. Monteiro, que foi vereador no Rio de Janeiro entre 2021 e 2022, teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar após acusações múltiplas relacionadas a assédio sexual, moral e manipulação de vídeos.
Outro episódio que repercutiu nacionalmente foi a condenação de Monteiro por ter invadido à força o Centro de Terapia Intensiva (CTI) de um hospital no Leblon durante a pandemia de Covid-19, sem autorização da direção, colocando em risco pacientes e profissionais de saúde — uma conduta que, embora justificada por ele como “vistoria”, foi enquadrada pela Justiça como crime.
Especialistas ouvidos pela reportagem observam que, embora os contextos de Guga Pet e Gabriel Monteiro sejam distintos — um envolve a administração municipal em questões de causa animal e o outro crimes judiciais e éticos gravíssimos — a maneira combativa com que ambos se posicionam publicamente acabou alimentando comparações no espaço político e nas redes sociais.
Críticos de Guga Pet argumentam que sua postura, muitas vezes confrontacional e marcada por conflitos internos na gestão pública, ressoa com o estilo midiático e agressivo que tornou a trajetória de Monteiro amplamente debatida no Brasil. Já defensores de Guga Pet afirmam que ele atua com vigor em defesa de pautas que considera prioritárias para sua base eleitoral e para a proteção animal.





