Vereador pede transparência na arrecadação e destinação dos valores pagos para realização de grandes eventos no estádio, alerta para risco ao Campeonato Paraibano e diz que Botafogo pode ficar sem jogar em casa a dez dias da estreia.
O vereador Marcos Vinícius (PDT) mostrou preocupação com as atuais condições do gramado do Estádio José Américo de Almeida Filho (Almeidão), danificado após a realização de shows no local, o que pode impedir a realização das partidas do Botafogo Futebol Clube da Paraíba pelo Campeonato Paraibano, cuja primeira rodada acontece em apenas 10 dias, no próximo dia 17.
O parlamentar cobrou providências e transparência por parte do Governo do Estado, através da Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer (Sejel), ressaltando que o Estádio Almeidão não pode se transformar em palco de improvisos e descaso. De acordo com ele, o gramado encontra-se comprometido em razão da realização de eventos de grande porte, sem que, até o momento, tenha sido comprovadamente executada uma recuperação efetiva, mesmo com a proximidade do início do Campeonato Paraibano.
A situação, segundo Marcos Vinícius, afeta diretamente o futebol profissional da Paraíba, penalizando especialmente o Botafogo-PB, principal usuário do equipamento. Além disso, o cenário afasta o torcedor, ameaça a realização das partidas na capital e levanta a possibilidade de jogos serem transferidos para outras cidades e até mesmo outros estados, como Natal ou Recife, o que gera prejuízos econômicos, esportivos e simbólicos para João Pessoa e Paraíba. “O futebol paraibano está de luto”, lamentou.
O parlamentar também criticou a falta de informações sobre o plano de recuperação do anunciado pela Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer. “Foi divulgado que existe um plano de recuperação do gramado, mas esse plano, aparentemente, não saiu do papel. Não há cronograma público, não há execução visível e, consequentemente, não há transparência”, disse o pedetista, destacando que na imprensa local, o secretário de Esportes, Lindolfo Pires, “chegou a garantir que não há perigo de não haver jogo no Almeidão no dia 17 deste mês e que o estádio estará em plena e total condição para o início do Paraibano. No entanto, ninguém conhece o cronograma de recuperação do gramado e não se vê notícia dos trabalhos sendo realizados”, questionou.
Outro ponto defendido pelo vereador Marcos Vinícius é que a população tenha o direito de saber quanto foi cobrado dos promotores dos shows pelo uso do estádio, se esses valores foram pagos integralmente, qual foi a destinação dos recursos e se houve, nos contratos, previsão de recomposição imediata do gramado. Ele também questionou se existe um fundo específico para manutenção do Almeidão após eventos desse porte.
Para o vereador, o estádio é um bem público, construído e mantido com recursos da sociedade, e sua utilização para eventos privados só se justifica mediante contrapartidas financeiras adequadas e regras rígidas de responsabilidade. “Não se trata de ser contra eventos culturais ou shows, mas de exigir gestão responsável, planejamento e respeito ao patrimônio público”, ressaltou, acrescentando que “apesar de o Almeidão ser administrado pelo Governo do Estado, está em João Pessoa e eu, como vereador eleito por essa cidade e cidadão desse Estado tenho que fiscalizar e cobrar transparência”, arrematou.
Ao final, o parlamentar reforçou que o futebol paraibano não pode ser tratado como atividade secundária dentro do seu principal palco. “O torcedor não pode pagar a conta da omissão administrativa, e o Botafogo da Paraíba não pode ser empurrado para fora da sua casa”, concluiu Marcos Vinícius, defendendo a divulgação imediata dos contratos, dos valores arrecadados e de um cronograma técnico que garanta o estádio apto antes do início do Campeonato Paraibano 2026.






